Criei esse blog para propor um hábito de pensamento saudável. Em todos os âmbitos da vida. Refletir, humanizar, compreender, esses são os meus lemas.

domingo, 5 de julho de 2015

Saúde Emocional

Saúde Emocional – você precisa cuidar bem dela!


Graça Serrano – Psicóloga –
Quando se fala em saúde, instantaneamente pensamos em doenças do corpo físico. Até hoje, a grande maioria dos profissionais e serviços de saúde lida basicamente com o corpo físico, embora não se possa mais ignorar a existência de um corpo emocional (alma) que também adoece e carece de cuidados especializados.
Quem não já sentiu uma dor profunda na alma mesmo sem ter um motivo que justificasse isso? Uma tristeza intensa? Um desligamento temporário do mundo? Uma euforia súbita? Ou mesmo aquela palpitação que acabou numa emergência hospitalar e foi diagnosticada como estresse?
Pois é, esses são sintomas de doenças emocionais. E claro que senti-los vez por outra não significa que você esteja doente, apenas confirmam que você é humano e tem uma alma. Mas, quando esses sintomas insistem em permanecer, é bom procurar um especialista para se certificar da existência ou não de uma doença emocional.
Infelizmente, nós ainda tendemos a ver esses sintomas como fraqueza de espírito, falta de força de vontade, falta de fé, etc. Essa visão traduz a falta de informação da sociedade sobre esse tipo de doença e prejudica ainda mais a pessoa que vive a sua crise.
E o que é pior: a doença emocional mata.
Algumas vezes elas se instalam no corpo e transformam-se nas doenças chamadas psicossomáticas (cardiopatias, transtornos alimentares, alguns tipos de câncer, alergias, dermatites, impotência, frigidez, vícios variados e por aí vai… é uma grande lista! ).
Outras vezes elas levam ao suicídio, por exemplo, em algumas depressões não tratadas.
Outras vezes ainda, elas paralisam a pessoa, restringindo consideravelmente seus hábitos de vida (síndrome do pânico, fobias, psicoses).
E todos os casos levam a uma desordem na família.
É importante saber que essas doenças:
- não estão sob o controle da pessoa, isto é, ninguém pode se autocurar;
- não estão ligadas a aspectos religiosos;
- precisam de tratamento e orientação de especialistas.
Precisamos acabar com o preconceito com a doença emocional. Os tratamentos estão muito evoluídos e permitem que todos possam levar uma vida plena, se cuidarem logo dos seus sintomas.
Os profissionais indicados para esses tratamentos são os psicólogos e os psiquiatras.
Se você tem um parente ou amigo que esteja apresentando sintomas desse tipo de doença, oriente-o, ele precisa dessa ajuda e você poderá estar salvando uma vida!
Graça Serrano – CRP – 02/2545

Alimentação Saudável

TRANSTORNO BIPOLAR - PSICOLOGIA UNIVERSO

Mente sobrecarregada? Saiba mais sobre a Síndrome do Pensamento Acelerado


Sabe aquelas noites em que você deita na cama e mil pensamentos vagueiam pela sua mente? Quando você vira de uma lado para o outro na cama preocupado com os prazos que precisa cumprir? Isso são manifestações da Síndrome do Pensamento Acelerado.
Síndrome do Pensamento Acelerado

O que é?

A Síndrome do Pensamento Acelerado atinge mais de 80% dos indivíduos de todas as idades. Afeta, principalmente, pessoas adultas que trabalham em locais que exigem constante atenção, nos quais é preciso lidar com metas e prazos e que estão aliados a uma série de responsabilidades e compromissos, como médicos, professores e jornalistas. A Síndrome do Pensamento Acelerado é caracterizada por pensamentos recorrentes principalmente durante a noite e causam perturbação do sono. É como se o cérebro superativado gritasse: “Ei, tenho várias ideias geniais! Você não pode dormir se não irá esquecê-las.”
Isso ocorre porque uma série de pensamentos estão rondando a mente e é preciso convencê-los de que não é necessário se preocupar com eles naquele momento, nem manter sua atenção fixa neles. Não trata apenas do conteúdo do pensamento, mas, principalmente, do ritmo que eles assumem. Um logo é substituído pelo próximo, sem que eles sejam devidamente processados, o que impossibilita, consequentemente, o descanso emocional e psíquico. O resultado é o estresse.

Quais as possíveis causas?

Podemos atribuir a crescente ocorrência da síndrome à quantidade de informações que recebemos diariamente das mais diversas formas. Esse excesso propicia o desenvolvimento de novas doenças e condições mentais que estão diretamente relacionados com o nosso atual estilo de vida.
A grande quantidade de informação às quais somos submetidos são responsáveis por sobrecarregar nosso cérebro e saturar nosso córtex, causando hiperatividade e impaciência. Imagine você, diante da tela do computador, lendo esse texto. É bem provável que o navegador tenha várias abas abertas: Facebook, Twitter, YouTube, algum outro portal de notícias… e juntamente com isso tudo o seu celular vibrando com algumas mensagens. Inúmeros grupos do Whatsapp não deixam você em paz. Além disso, outras preocupações em sua mente: planos para o final de semana, o trabalho para entregar até a próxima sexta e tantas outras coisas que levam à criação de um série de pensamentos que se relacionam e que exigem grande dedicação das funções cerebrais. Está montado o cenário propício para a Síndrome do Pensamento Acelerado.

As principais características

Entre as características, podemos citar a sensação persistente de apreensão, dificuldade de memória, déficit de concentração, fadiga, irritabilidade e sono alterado. O indivíduo tem dificuldade de se concentrar em um livro ou de realizar uma tarefa sem interrompê-la inúmeras vezes. Além disso, permanece com a sensação constante de que 24 horas não são suficientes para realizar todas as atividades que necessita.
O esgotamento mental é também convertido em cansaço físico, pois a alta atividade cerebral acaba sequestrando energia de outras áreas, como músculos e na manutenção de outros órgãos. É interessante ressaltar que o portador da Síndrome do Pensamento Acelerado possui a consciência de que é necessário reduzir a velocidade de seus pensamentos. Contudo, mesmo tentando, não consegue reduzir a intensa atividade à qual está submetido.

Qual a relação entre a Síndrome do Pensamento Acelerado e a ansiedade?

De acordo com a psiquiatra Elisa Brietzke, coordenadora do PRISMA (Programa de Reconhecimento e Intervenção em Estados Mentais de Risco) da Unifesp, a Síndrome do Pensamento Acelerado não é uma doença, mas um sintoma: “Geralmente está vinculada a um quadro de transtorno de ansiedade.”
Está geralmente associada a um quadro de transtorno de ansiedade que provoca a liberação de neurotransmissores como a adrenalina, ocasionando a ativação de uma série de circuitos cerebrais, tornando mais difícil concentrar-se em um único foco. Além disso, a ansiedade reduz temporariamente o fluxo sanguíneo no cérebro, o que dificulta a inibição da hiperatividade cerebral que desaceleraria os pensamentos. Os efeitos da Síndrome do Pensamento Acelerado são potencializados em situações específicas, como durante o sono, quando não há distrações e ficamos a mercê de nossos próprios pensamentos.

E o tratamento?

Para driblar os malefícios da síndrome é necessário adotar medidas que reduzem o ritmo frenético da vida cotidiana. Caminhadas, cozinhar, cuidar do jardim, aprender a tocar um novo instrumento, praticar determinado esporte, divertir-se com os amigos, ir ao teatro, andar de bicicleta ou outras atividades de caráter lúdico que atuem como uma distração sensorial (visual, auditiva, olfativa ou sensitiva) são válidas.
Tudo isso possibilita que a mente se distraia de si mesma e não corra o risco de se consumir. Esse desvio de foco mental auxilia na suavização dos pensamentos e em sua desaceleração, permitindo que o indivíduo assuma uma postura mais tranquila.
Referências Bibliográficas: Calm ClinicA Wandering Mind

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Vaidade: Espelho, espelho meu


Cuidar do corpo é uma atitude saudável e ajuda a aumentar a auto-estima. Quando a busca pela beleza se torna obsessiva, porém, ela vira uma doença que exige tratamento.


B.C. era uma bela mulher de 33 anos, com o corpo esculpido por duas horas diárias de academia, prática de várias modalidades esportivas e uso freqüente de recursos como lipoaspiração e drenagem linfática. Os constantes elogios não a convenciam, no entanto. Ela nunca se satisfazia com os resultados do esforço, que chegava a consumir 30 horas por semana. Considerava-se menos dedicada do que o necessário e ficava em pânico com a idéia de passar dois dias sem exercícios físicos. Também se sentia incomodada cada vez que via o rosto no espelho. Concluiu que o maior problema era o formato do nariz, embora ninguém notasse nenhuma imperfeição ou desproporção nele. Decidiu submeter-se a uma cirurgia plástica. Não aprovou o resultado e fez outras três cirurgias, sempre procurando corrigir a anterior. Durante um ano e meio, deixou os demais aspectos da vida em segundo plano para tentar resolver o problema que ela mesma havia criado. Quase não saía de casa, angustiada por constatar que a perfeição com a qual sonhara parecia cada vez mais distante. Na quarta cirurgia, aconteceu o pior. Teve uma infecção, perdeu parte do nariz e ficou deformada.

Normal ou doentio?
Um dos esforços brasileiros no sentido de conhecer melhor este tipo de transtorno vem da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde uma equipe liderada pelo psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, alarmada com a maior incidência de problemas relacionados à dificuldade de alimentação e à obsessão por dietas e exercícios físicos, desenvolveu um questionário sobre o tema (leia mais no quadro da próxima página). O objetivo é identificar se o paciente atravessou a fronteira entre a preocupação normal com a aparência e o comportamento doentio. As respostas resultam em uma pontuação que revela a existência do distúrbio e define se o estágio é moderado, médio ou grave. B.C. foi uma das pacientes diagnosticadas com TIC, um mal que, evoluindo silenciosamente e sem terapia, pode levar a sérios problemas de saúde, como a bulimia e a anorexia.
A preocupação ainda pontual com o transtorno de imagem corporal faz com que não existam estatísticas confiáveis sobre a incidência, mas a impressão geral dos especialistas é que os casos vêm aumentando a cada ano. “O maior número de casos parece estar diretamente relacionado à crescente valorização social da beleza e da juventude”, ressalta Silveira. Ele lembra que a pressão pela boa aparência, fortemente reforçada pela mídia, contribuiu nas últimas décadas para a banalização dos recursos da medicina, um perigo a mais para quem transforma a beleza em obsessão. “Muita gente passou a achar simples demais fazer uma lipo ou uma cirurgia plástica para se aproximar dos padrões de beleza vigentes, mas é preciso lembrar que mesmo as mais simples intervenções envolvem riscos”, diz o psiquiatra.
Beleza inatingível
Mesmo com a ascensão do metrossexual, o homem excessivamente preocupado com a aparência (cujo ícone é o jogador inglês de futebol David Beckham), as grandes vítimas da pressão social pela beleza continuam sendo as mulheres. Pela amostra obtida na primeira aplicação do questionário desenvolvido pela Unifesp, uma em cada cinco mulheres sofre de transtorno da imagem corporal. A antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Mirian Goldenberg, organizadora do livro Nu & Vestido (Record, 2002) e autora de De Perto Ñinguém é Normal (Record, 2004), em que tratou da obsessão pela beleza, lembra que o fenômeno ganhou proporções muito maiores a partir dos anos 90, quando top models magérrimas passaram a ditar os padrões da moda. “A partir daí, as mulheres entraram em um labirinto do qual ainda não conseguiram escapar: a busca infinita pela perfeição, pela beleza inatingível”, descreve. Ela sugere que as mulheres se inspirem no exemplo da atriz Leila Diniz (1945-72), ícone da liberdade feminina nos anos 60, para buscar a “libertação”. “Leila prezava a liberdade, o prazer de viver, sem ligar para padrões e conceitos. Ela desafiava as convenções e criou o seu próprio padrão de comportamento”, diz Mirian. “É um belo exemplo para quem vive fazendo regimes malucos, torrando dinheiro com produtos ineficazes, vestindo roupas de adolescentes mesmo depois dos 40 anos, pintando os cabelos de loiro ou tentando imitar o peito siliconado ou os lábios carnudos da modelo ou atriz do momento.”
O maior desejo
A psicóloga Suely Murdocco lembra que, há alguns anos, uma revista feminina norte-americana fez uma enquete pedindo às leitoras que escolhessem uma entre três realizações: um encontro romântico com o homem dos sonhos, uma noite divertida com um amigo querido que não encontravam havia tempo ou emagrecer 10 quilos. A maioria escolheu – adivinhe? – a terceira opção. “As mulheres estão conquistando posições de importância na política e no trabalho, mas ainda persistem na idéia perniciosa de que o nosso maior poder é a beleza e a juventude. Acreditamos que mais cedo ou mais tarde perderemos nosso poder para mulheres mais belas e mais jovens”, critica Suely.
Para ela, uma mudança de mentalidade só seria possível a partir da nova geração. Ao ressaltar a influência da mídia, Suely defende uma campanha de conscientização direcionada às adolescentes. “A mulher brasileira é a mais bonita e sexy do mundo e não precisa imitar os modelos europeus, das loiras com olhos claros e cabelos lisos. Já é hora de quebrar a ditadura do manequim 36.”
Texto: Maurício Oliveira.